Biblioteca Infantil terá espetáculos circenses gratuitos nesta semana

Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br

Os sorocabanos com mais de 16 anos podem conferir nesta quinta e sexta-feira (dias 10 e 11), às 19h30, a encenação das comédias de circo-teatro “O Machão” e “O morto que não morreu”. A atividade acontece, respectivamente, na Biblioteca Infantil “Renato Sêneca de Sá Fleury” e os ingressos gratuitos serão distribuídos por ordem de chegada no local. Por isso é recomendado que as pessoas cheguem com pelo menos 30 minutos de antecedência.

Promovida com apoio da Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), a iniciativa foi contemplada pelo edital 2014 do ProAc (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, na categoria Montagem e Temporada de Espetáculo de Circo.

Sob a direção do Palhaço Tubinho, descendente de família tradicional de circo-teatro e referência no Brasil em tal estética teatral, as apresentações serão feitas por coletivo de trupes artísticas de Campinas, formado por artistas do Barracão Teatro (Raíssa Guimarães), do Circo Caramba (Thiago Sales), da Dupla Cia. (Fernanda Jannuzzelli), da Família Burg (Hugo Burg Cacilhas, Ivens Burg Cacilhas e Joana Piza), da Los Circo Los (Vitor Poltronieri) e do Circo de Teatro Tubinho (Lucélia Reis e Fernanda Jannuzzelli).

Para a atriz Fernanda Jannuzzelli, integrante da trupe Dupla Cia., do elenco do Circo de Teatro Tubinho e Mestre em Circo-Teatro pela Unicamp, a encenação dessas comédias está estritamente ligada à preservação do gênero de teatro popular brasileiro. “Seria o resgate de uma tradição que foi esquecida e que não é contada na história oficial do teatro. Trata-se de um gênero ímpar, com características próprias, com enorme potencialidade artística e que formou grandes atores da nossa cena teatral, entre os quais Benjamim de Oliveira, Oscarito e Mazzaropi”, destaca a atriz.

Da mesma forma, Tubinho enxerga a montagem dos dois espetáculos como uma rica oportunidade de, além de oferecer ao público uma maneira peculiar de se fazer circo-teatro, entender o fenômeno de popularidade presente nessa teatralidade sob a lona. “O circo-teatro esteve e continua a estar em locais onde o teatro convencional, ou o de elite, nunca tinha chegado antes. Por isso, há muitos espectadores que tiveram sua primeira ou única experiência teatral por meio do teatro feito em circo. Essa é a grande questão”, pontua o diretor.

Sobre as comédias

Na quinta-feira (10), “O Machão” conduz a plateia às desventuras de um palhaço obrigado a viver na barra da saia da mulher, que faz questão de controlar todos os passos do marido. “Ele é todo submisso e ela é uma megera. Para piorar a situação, chega o amigo do Palhaço, que é todo ‘baladeiro’, apesar de também ser casado. Juntos, os dois arquitetam um plano para cair na gandaia. A partir disso, cria-se todo um quiproquó”, resume Ivens Burg Cacilhas, da Família Burg, que protagonizará o espetáculo como o palhaço Gonçalves.

Já na sexta-feira (11), o coletivo apresentará “O Morto Que Não Morreu”, chanchada tradicional dos picadeiros, na qual a plateia acompanha os desesperos de uma palhaça que se vê obrigada a organizar o velório do próprio patrão. Detalhe: ao contrário do comumente encontrado na cena do picadeiro – o masculino como protagonista –, a releitura do coletivo traz a figura feminina para o centro da lona. “É uma renovação da tradição. Ao mesmo tempo em que bebemos na fonte tradicional, estamos nos reinventando. É justamente na tensão entre o velho e o novo que consiste uma tradição. Ela necessita sofrer transformações para continuar sendo contemporânea, para continuar dialogando com a plateia de cada nova geração”, explica Fernanda Jannuzzelli, que protagonizará o espetáculo como a palhaça Begônia.

Sobre o diretor

Por ter nascido dentro de uma família circense tradicional, José Amilton França Pereira Júnior, o popular Palhaço Tubinho, carrega no sangue a polivalência dos artistas de picadeiro. Além de palhaço, acumula as habilidades de ator, diretor, dramaturgo, produtor cultural e empresário circense. Desde 2001, está à frente do Circo de Teatro Tubinho – uma trupe circense itinerante –, que traz no repertório mais de 100 espetáculos teatrais entre comédias, infantis e dramas, como Tubinho, O Rei do Gatilho; Tubinho e a Sua Família na Capital; Tubinho e a Mulher Nota 1.000; Pinocchio; Meu Filho, Minha Vida e Tubinho e as Almas de Outro Mundo.

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