Endereço: http://agencia.sorocaba.sp.gov.br/dica-de-quem-sabe-seu-filho-esta-com-dificuldade-na-aprendizagem/
Acessado em: 19/05/2019 - 16h30

DICA DE QUEM SABE – Seu filho está com dificuldade na aprendizagem? Saiba o que fazer para ajudá-lo

Por: Secom Sorocaba

Seu filho está com algum tipo de dificuldade de aprendizagem na escola? Vários fatores podem influenciar essa questão e é essencial que haja um diálogo entre a família e a escola para que seja identificada se essa dificuldade é isolada ou se é uma questão que demanda mais atenção e ajuda profissional para que a criança supere essa fase e tenha um bom desenvolvimento escolar.

A literatura aponta que uma em cada 10 crianças brasileiras em idade escolar apresenta algum tipo de distúrbio de aprendizagem, estando pelo menos 80% delas relacionadas à leitura e à escrita, ainda que, não raramente, possa ocorrer simultaneamente com outros transtornos, como, por exemplo, o Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH).

A atenção e a memória são as funções neuropsicológicas mais comprometidas nesses casos e ocasionam situações de atraso e/ou baixo desempenho escolar, ocorrendo discrepância entre a capacidade da criança de aprender e o seu nível de realização. Importante destacar que nem toda pessoa com TDAH possui o transtorno de aprendizagem.

Já a dislexia é o transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração, segundo a Associação Brasileira de Dislexia. Essas desordens de caráter permanente manifestam-se no ingresso escolar, durante o período de aquisição e de desenvolvimento da audição, da fala, da leitura, da escrita e das habilidades matemáticas, comprometendo as habilidades cognitivo linguísticas.

De acordo com a fonoaudióloga da Secretaria da Educação (Sedu), Cleiva Diniz, que integra a Equipe Multidisciplinar da Divisão de Educação Especial, não é incomum perceber que as pessoas com transtornos de aprendizagem costumam apresentar sentimentos de baixo autoestima e inferioridade, relatam mais doenças e sintomas físicos, como dor de cabeça e dor de estômago, além de comportamentos indicativos de stress, como ansiedade e depressão.

 

O que fazer?

A dica da fonoaudióloga é que, ao perceber dificuldades na aprendizagem dos filhos, os pais conversem mais com as crianças, observem seus comportamentos, e contem com a escola como uma parceira, assim como com os profissionais que acompanham seus filhos. “Leiam diariamente para e com as crianças, dediquem de cinco a dez minutos diários para estimulá-los com jogos e brincadeiras que substituam a TV, o celular e o tablet. O trabalho de estimulação precisa ser precoce e contínuo, já que as alterações são persistentes. As atividades precisam variar de níveis, do mais fácil para o mais desafiador, com atividades de seu interesse”, indica.

Cleiva cita o livro “Os neurônios da Leitura”, no qual o autor explica que a questão genética não é uma condenação à perpetuidade. “O cérebro é plástico, ou seja, moldável às experiências. Os pais precisam perceber que quando a criança entra em contato com a estimulação diária, poderá vencer as dificuldades de leitura e escrita. As possibilidades de ter um transtorno de aprendizagem atenuada e enfraquecida até que se torne insignificante é grande, desde que os pais, a escola e os profissionais acreditem na estimulação oferecida por eles”, alerta.

Além disso, é papel da escola alertar a família sobre as manifestações observadas e também em parceria com ela buscar redes de apoio e acompanhamento multidisciplinar com o fonoaudiólogo, o terapeuta ocupacional, o psicólogo, o neurologista e o psicopedagogo, por exemplo. A escola deverá realizar adaptações curriculares, modificações no ambiente de sala e adaptações de materiais. “Cabe a escola acompanhar e envolver o aluno com o conteúdo escolar, avaliar suas habilidades, em vez de inabilidades, priorizando o desenvolvimento de estratégias compensatórias”, enfatiza a fonoaudióloga.

 

Quais são os sinais?

Na fase pré-escolar, alguns sinais que as crianças podem apresentar são: fala tardia em comparação com a maioria das crianças; vocabulário empobrecido, como “au au” para cachorro e “papá” para qualquer comida; dificuldades para encontrar palavras apropriadas durante a conversação; dificuldade em memorizar músicas infantis e seguir ritmo; além de agitação motora e se distrair facilmente.

Na fase escolar inicial, os pais podem perceber nas crianças sinais como: demora para aprender relação entre letras e sons; dificuldades para formar palavras; erros consistentes de leitura e ortografia; dificuldades para relembrar sequências e para dizer horas; e lentidão para aprender novas habilidades.

Já na fase escolar em séries avançadas, eles podem apresentar lentidão para aprender prefixos, sufixos, rota lexical e outras estratégias de leitura; evitam leitura em voz alta; apresentam dificuldades com enunciados de problemas em matemáticas; dificuldades de soletração; evitam tarefas de leitura e escrita; e encontram dificuldade para lembrar ou compreender o que foi lido.

“Esses sinais são persistentes e os profissionais da Educação, bem como os pais precisam compreender as problemáticas envolvidas que acometem e prejudicam as crianças em fase de aquisição e de desenvolvimento da alfabetização”, explica Cleiva. O fracasso escolar persistente na adolescência traz o risco de desadaptação psicossocial associado à evasão escolar, o que pode resultar em subemprego, entre outros problemas sociais.

 

Muito mais por Sorocaba!