Governo Crespo intensifica ações para combater a presença de menores em cruzamentos de vias

Por: Viviane Gonçalves

Para ajudar a combater a presença de menores em cruzamentos das principais avenidas e ruas de Sorocaba, o prefeito José Crespo determinou algumas ações para a administração municipal, que visam ajudar o trabalho já existente de outros órgãos. As medidas foram anunciadas na reunião do GGI – Gabinete de Gestão Integrada, formado pelas Polícias Militar e Civil, além da Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Civil (Sesdec), nesta quinta-feira (27).

Entre as ações está uma reestruturação do Conselho Tutelar da cidade, órgão encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente e que tem como atribuições, aconselhar os pais ou responsáveis, além de atender as que necessitam de proteção, quando em situações de risco, violência ou negligência. “Nós estamos definindo uma melhor distribuição destes profissionais para que atuem mais intensamente em locais onde estes casos são mais frequentes”, conta José Crespo.

Durante a reunião, o prefeito lembrou que já foi enviado à Câmara de Vereadores um projeto para a criação de uma nova Secretaria que irá trabalhar especificamente no combate às drogas e que deve ser votado em breve. Caso seja aprovado, a pasta ficará instalada na unidade do Sabe Tudo no bairro Ana Paula Eleutério- Habiteto, na Zona Norte. Outra novidade para o mesmo bairro é a construção de um Centro Esportivo. “Nós vamos buscar recursos para isso por meio de verbas de emendas parlamentares. Já solicitei que minha equipe faça isso o quanto antes”, ressaltou José Crespo.

O comandante do CPI-7, Cel. Antonio Valdir Gonçalves Filho, acredita que este trabalho integrado entre os órgãos é de extrema importância para a diminuição desta prática. “Em parceria com a Guarda Civil Municipal e a Polícia Civil, nós desenvolvemos várias operações e já diminuímos muito esta atividade, que em sua grande maioria, acaba alimentando os vícios destes pedintes. Teve casos de nos depararmos com pessoas procuradas pela justiça”, conta ele.

Para o delegado Alexandre Cassola, as pessoas precisam se conscientizar sobre o mal que é ajudar com dinheiro. “Dar esmola só alimenta o tráfico e, além disso, o menor está sendo aliciado, então precisamos da contribuição da população para que não doe, achando que está ajudando, pois não está”, lembrou ele.
As ações definidas pelo prefeito José Crespo foram estrategicamente elaboradas após denúncia feita por um ouvinte, enquanto ele concedia entrevista à rádio Cruzeiro FM, sobre a existência de adolescentes vendendo produtos no cruzamento das avenidas Washington Luiz com Barão de Tatuí, na Zona Sul, nesta quarta-feira (26).

Diante da denúncia, o prefeito determinou que uma força-tarefa, envolvendo agentes da Secretaria de Igualdade e Assistência Social, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, assim como assistentes sociais e Conselho Tutelar, fosse ao local fazer a abordagem. Um adolescente de 15 anos foi identificado e levado até o local de trabalho de sua mãe para que ela tomasse conhecimento da ação e fosse realizado o cadastro deste jovem. A partir de agora, ele terá um acompanhamento do Conselho para garantir a sua volta à escola. Também estiveram presentes o comandante Marcos Mariano da GCM e o secretário de Segurança e Defesa Civil, Jeferson Gonzaga.

Campanha de Conscientização “Não dê esmola”

A Secretaria de Comunicação e Eventos, que também participou da reunião do GGI na quinta-feira e da ação junto ao adolescente na quarta-feira, irá desenvolver uma campanha de conscientização para que a população entenda o que acontece quando ela dá esmola ou até mesmo compra algum produto no semáforo.

A campanha contará com a parceria de todos os órgãos envolvidos neste trabalho de combate a esta prática e deve contar também com a ajuda da imprensa. Essa campanha, explica o secretário de Comunicação e Eventos (Secom), Eloy de Oliveira, envolverá a produção de vídeos institucionais que serão divulgados nas redes sociais e no portal da Prefeitura na Internet, além dos veículos de imprensa; distribuição de folhetos contendo orientações, em ruas e avenidas da cidade, assim como nos prédios públicos e escolas; instalação de peça publicitária nos ônibus do transporte coletivo, os chamados “busdoors”, além da divulgação de reportagens sobre o tema aos veículos de comunicação. “Também deveremos estabelecer parcerias com as empresas do setor de comunicação no sentido de divulgar as ações e campanhas de prevenção ao trabalho infantil nos cruzamentos da cidade. Essa ajuda por parte da imprensa é fundamental para que haja resultado”, disse o secretário.

Combate ao trabalho infantil

Em Sorocaba, a Secretaria de Igualdade e Assistência Social, por meio da Coordenadoria da Criança, Adolescente e Juventude e da Rede de Proteção, tem realizado trabalho constante visando a erradicação do trabalho infantil no município, por equipes especializadas ligadas ao CRAS e CREAS. Trabalho que será intensificado.

Num balanço realizado em julho a pasta divulgou que as abordagens realizadas na cidade entre maio e julho identificaram 84 crianças em situação de trabalho infantil. Muitas foram abordadas mais de uma vez, sendo identificada a reincidência no trabalho infantil, mesmo após as orientações e encaminhamentos realizados pela equipe de abordagem social.

Segundo Angélica Lacerda Cardoso, coordenadora da Criança, Adolescente e Juventude, da Sias, a maioria das crianças estava em cruzamento de ruas e avenidas comercializando produtos. “Nas abordagens observou-se o fator econômico como agravante, uma vez que 70% (59 crianças de 84 abordadas) relataram às Equipes de Abordagem que ajudam suas famílias financeiramente.”

Vínculo com a criança e seus familiares

O objetivo das abordagens, explica, é de aproximação e vínculo com a criança ou adolescente para compreensão dos motivos que o levaram a situação de trabalho infantil, “A primeira ação para se enfrentar o trabalho infantil é saber de que forma ou em que locais crianças e adolescentes vivenciam essa prática” e fortalecer a Rede de Proteção para que as crianças e adolescentes tenham oportunidades de desenvolvimento conforme suas necessidades. Trabalhar não é coisa de criança, explica Angélica.
“No Brasil, 2,7 de milhões de crianças estão nesse exato momento trabalhando e não estão usufruindo de seus direitos à educação, saúde e lazer e é o nosso papel ajudar para que esses números diminuam”, comenta a secretária de Igualdade e Assistência Social, Cíntia de Almeida.

Ainda de acordo com a Coordenadoria da Criança, Adolescente e Juventude, as precauções estão sendo tomadas para a melhora da vida dessas crianças. Sorocaba conta hoje com diagnóstico elaborado pela Vigilância Socioassistencial (SIAS) conforme prevê o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. Este é um grande avanço para nosso município, pois foi a partir deste diagnóstico que o Planejamento para Ações de Enfrentamento ao Trabalho Infantil foi construído. A partir da constatação do trabalho infantil são disponibilizados acompanhamentos nos CRAS e nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, além de capacitações profissionalizantes, ao jovem que, a partir de 14 anos, é permitido o trabalho na condição de aprendiz.

Desde o mês de maio as abordagens às Crianças e Adolescentes que estão em situação de trabalho infantil são realizadas também pela equipe técnica do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) por meio de Agentes Sociais.

Cíntia de Almeida também destaca ainda ser fundamental que a sociedade não compre produtos ou não doe esmolas a crianças em ruas e cruzamentos. Denúncias sobre casos envolvendo o trabalho infantil podem ser feitas através do “Disk 100”, “Disk 153 (Guarda Civil Municipal), Conselho Tutelar (3235-1212) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Norte 3223-5319/Oeste 3211-5070/Sul e Leste 3219-1926). Também podem ser realizadas diretamente às equipes que realizam as fiscalizações diárias, pelos telefones (15) 99614-1954 (entre 6h e 15h) e 99841-6285 (das 13h às 22h).

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