ESPECIAL 50 ANOS ZOO – No Ano do Tamanduá, zoo de Sorocaba reproduz a espécie que é ameaçada de extinção

Por: Thuanne Souza (Programa de Estágio)

Foto: Gilberg Antunes

 O filhote nasceu em janeiro deste ano e recebeu o nome de Ziraldo

Os zoológicos brasileiros comemoram em 2018, por iniciativa da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, (Azab), o Ano do Tamanduá, ou seja, 365 dias dedicados à conscientização de preservação desses animais, quase exclusivos da fauna brasileira, que estão ameaçados de extinção. O Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” possui três exemplares adultos, sendo duas fêmeas e um macho de Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). A ótima notícia comemorada pela equipe do zoo foi que neste ano nasceu um filhote macho da espécie, que carinhosamente ganhou dos funcionários do parque o nome Ziraldo.

O nascimento do tamanduá-bandeira comprova o importante trabalho realizado no zoológico de Sorocaba, que é da preservação de espécies de animais ameaçados de extinção. Considerado um dos mais completos da América Latina, o “Quinzinho de Barros” completa 50 anos em 20 de outubro e é classificado no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na categoria A, que é a mais elevada.

Segundo o médico veterinário residente do parque, Guilherme Ramos, o zoológico pode ser visto também como uma “Arca de Noé”, já que se necessário o repovoamento de alguma área, o zoo pode contribuir com a espécie. A responsabilidade do parque então, está não só em conscientizar a população, mas também em realizar a reprodução dos animais com todos os cuidados necessários, principalmente os ameaçados de extinção, como os tamanduás.

Ziraldo nasceu no dia 7 janeiro deste ano e foi rejeitado pela mãe Sofia, de modo que sua criação e desenvolvimento saudável aconteceu graças a um grande esforço da equipe do Setor de Biologia e Veterinária do “Quinzinho de Barros”.

Para que Ziraldo sobrevivesse, nos três primeiros meses os residentes passaram a noite com ele no alojamento do zoo, para alimentá-lo nos horários certos, com leite em pó de cão e gato, leite de vaca e creme de leite, que se assemelha ao leite gorduroso da mãe. Para que ele continue evoluindo, os residentes incentivam o seu comportamento natural, e hoje, com oito meses de vida, o filhote já se alimenta com a papa preparada para a espécie e já está apresentando o comportamento de procurar o alimento (formigas e cupins) na terra.

Os tamanduás do zoo recebem diversos cuidados. São feitos exames periódicos, e é mantido diariamente o cuidado com o recinto que vivem, sendo colocados semanalmente cupinzeiro para que eles possam se alimentar como na vida livre. Como eles necessitam de uma grande quantidade de comida, é preparada uma papa com leite de vaca, leite de soja, ração de gato e cachorro, além de legumes e vegetais. Para dar o cheiro de cupinzeiro e estimulá-los a comer, coloca-se terra do cupinzeiro e ovo, tudo isso balanceado pelo zootecnista responsável.

 

Ameaças para a espécie

“Infelizmente, hoje o tamanduá está classificado como ‘vulnerável’ de extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). A espécie corre sério risco de extinção, principalmente o tamanduá-bandeira, de hábitos terrestres, sendo os atropelamentos em rodovias, as queimadas de seus habitats e a caça as principais causas de morte desses animais”, comenta o médico veterinário residente do zoo, Guilherme Ramos.

Só neste ano chegou no “Quinzinho”, três casos de tamanduás vítimas de atropelamento, sendo dois adultos e um filhote, que receberam o pronto atendimento dos médicos veterinários, mas infelizmente não resistiram aos ferimentos. Quando os animais têm o prognóstico bom, se recuperam e ficam aptos para retornar a natureza, alguns critérios são avaliados pela equipe do zoo e então é solicitada uma autorização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins, para que eles sejam devolvidos à natureza.

Pensando na conscientização da população, para que se diminua o índice de mortalidade dos tamanduás, e dentro da programação do Ano do Tamanduá, a equipe de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema) fala sobre esses animais para os visitantes do zoo, conta histórias e curiosidades às crianças.

Uma fêmea de tamanduá-bandeira, que veio de vida livre para o parque em janeiro de 2008, trazida de Itapetininga pela Polícia Ambiental, após um atropelamento que resultou numa grave fratura na região pélvica, foi tratada e permaneceu no zoo. Hoje ela é a melhor reprodutora de tamanduás, pois desde que chegou teve três crias, levando em consideração o tempo em que ela precisou se adaptar à vida em cativeiro e o fato de as fêmeas engravidarem somente uma vez por ano.

“Os tamanduás controlam as populações de insetos, então, ao fazer parte da rede alimentar do habitat onde vive, contribui para o equilíbrio de todo o ecossistema. Pedimos sempre para que a população esteja atenta, pois, quem avistar um tamanduá em uma rodovia, deve diminuir a velocidade e evitar buzinar para não assustá-lo, e assim não causar acidentes”, conclui Guilherme.

 

Sobre a espécie

Entre as espécies de tamanduás, o tamanduá-bandeira é o maior desses mamíferos, medindo de 1,80 a 2,10 metros e com uma cauda que lembra uma bandeira. Já o Tamanduá-mirim, mede cerca de 105 centímetros e chama atenção por parecer vestir um colete. Também pode ser encontrado no Brasil, principalmente na Amazônia, o Tamanduaí, que cabe na palma das mãos. Mesmo com suas particularidades, os tamanduás em geral são solitários e de hábitos noturnos, não possuem dentes, têm a cabeça comprida, língua longa e a saliva grudenta, facilitando a apreensão dos alimentos que, em vida livre, é exclusivamente constituída de formigas e cupins.

 

 

 

 

Tags: