Policlínica recebe capacitação sobre hanseníase e qualifica 49 médicos

Por: Marcelo Almeida Jr

A Policlínica Municipal de Especialidades “Dr. Edward Maluf” recebeu, na última sexta-feira (22), uma capacitação sobre hanseníase para médicos que atuam na Atenção Básica de Saúde. O programa foi realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES). Pelo menos 49 médicos participaram desse encontro.

De acordo com a dermatologista da rede municipal e presidente do 4º Distrito Regional de São Paulo da SBD, Sandra Quinilato, os pacientes com suspeita da doença estão vindo para o Programa Municipal de Controle da Hanseníase com um diagnóstico tardio. “Estamos percebendo que muitos pacientes chegam com sequelas, por conta da demora no diagnóstico. Diante disso, surgiu a necessidade de capacitar os médicos da Atenção Básica para que essa situação diminua”, explicou a médica.

Nomeado como “Programa de Capacitação na Atenção Básica”, o treinamento foi composto em duas partes: teórica e prática. A teórica teve a missão de abordar epidemiologia, fisiopatologia, exames físicos e complementares, e tratamento. E a parte prática visou examinar pacientes, fazer testes de sensibilidade, identificar lesões pelo corpo e elaborar a história da doença. A qualificação teve um total de 16 horas.

As orientações foram lideradas pelo médico Marco Andrey Cipriano Frade que é dermatologista e coordenador do Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária – Hanseníase. Marco Andrey também é professor de dermatologia no Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto na Universidade de São Paulo (USP). “Os números de casos da hanseníase no Brasil estão caindo porque os médicos estão perdendo a expertise para identificar a doença e não pelo motivo da ausência da enfermidade. O objetivo dessa ação é instigar que os médicos questionem de uma forma mais completa os pacientes. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, menor a chance de sequelas”, ressaltou o médico.

Aprovação entre os médicos

Tarcísio Carvalho é médico pelo Programa Mais Médicos do Governo Federal, atua na Unidade Básica de Saúde da Vila Sabiá e aprova a capacitação realizada pela SBD e SES. “O curso é muito importante, pois é uma capacitação que estava faltando para os médicos da Atenção Básica. Essa qualificação nos dá uma grande segurança para dianosticar a hanseníase, além de promover a saúde na comunidade”, relatou.

O que é a hanseníase?

A infecção é causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Os primeiros sintomas são manchas brancas ou avermelhadas, que ficam ressecada e provocam formigamento e dormência. Em alguns casos, também pode haver diminuição da força muscular.
A doença afeta a pele e os nervos, e as manchas podem estar localizadas em qualquer parte do corpo. Normalmente, os locais mais comuns são as extremidades – braços, mãos, coxas, pernas e pés – e o rosto. Se não houver tratamento, ela pode causar deformidades.

Transmissão

A hanseníase pode ser transmitida pelo contato com uma pessoa sem tratamento, através das vias respiratórias, pela tosse ou pelo espirro. Entretanto, a maioria das pessoas tem resistência natural para combater a doença, portanto não adoecem. Além disso, o contágio só acontece quando há um convívio muito próximo e prolongado, cerca de 2 anos, com um doente que não esteja sendo tratado.

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