Projeto da Secretaria da Educação leva sala de aula para o GPACI

Por: André J. Gomes

De todas as dores físicas, psicológicas e emocionais enfrentadas por uma criança diagnosticada com câncer, deixar a escola é um dos mais traumáticos. Em muitos casos, para fazer o tratamento o paciente se afasta da sala de aula por vários meses. Quase sempre, perder um vínculo tão importante desmotiva o aluno e, consequentemente, compromete a sua recuperação.

Para amenizar esse problema, a Secretaria da Educação mantém o projeto de atendimento pedagógico “Classe Hospitalar”. Por meio de um convênio exclusivo com o Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil – GPACI, uma equipe de quatro professoras da rede pública municipal (duas para o Ensino Fundamental 1 e duas para Fundamental 2 e Ensino Médio) atendem diariamente as crianças hospitalizadas na instituição.

Na “Classe Hospitalar”, os alunos cumprem o conteúdo programático como se estivessem em sala de aula. Assim que o aluno é internado, as professoras contatam a escola em que ele está matriculado, iniciam o processo de articulação e prosseguem com o aprendizado. “Nosso trabalho é manter o vínculo desses estudantes com a escola, incentivá-los a estudar e cumprir o programa proposto”, explica a professora Ana Cristina Oliveira Germano, chefe de Seção Multidisciplinar da Divisão de Educação Especial.

A cada semestre, cerca de 800 aulas acontecem no GPACI. Esses atendimentos são feitos de segunda a sexta, de manhã e à tarde, de acordo com a situação de cada aluno. Se o paciente não puder ir até a sala instalada dentro do hospital onde é oferecido o apoio pedagógico, a professora vai até onde ele estiver: espaços de convivência, internação e ambulatório. “Mais do que ensinar e apoiar a aprendizagem dos alunos, nossa equipe se empenha em auxiliá-los e motivá-los nessa fase. O foco é sempre no estudante, no seu aprendizado, e não na doença”, diz Ana Cristina.

Casos de sucesso

A estudante Emily Peixoto de Almeida é um dos inúmeros casos de crianças e adolescentes que participaram da “Classe Hospitalar” com sucesso. Emily concluiu o Ensino Médio, está prestes a terminar o tratamento e vai prestar o vestibular para Direito. “O apoio das professoras foi fundamental, elas são a nossa grande base depois dos pais e isso fez toda a diferença no meu tratamento”, diz Emily.

A secretária da Educação, Marta Cassar, ressalta o respeito ao momento vivido pelos pacientes durante as aulas. “A relação professor-aluno se estabelece em um ambiente não-escolar, provando que a ação de educar independe do local. Aprender é o verbo e ele se conjuga a dois. Basta querer”, conclui a secretária.

O projeto “Classe Hospitalar” conta com duas especialistas em Educação Inclusiva, Cinara Petarnela e Sandra Rodrigues, e com as professoras Ana Paula Libório, de Língua Portuguesa, e Naoko Furuya, de Matemática, que são vinculadas à Escola Municipal Getúlio Vargas.

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