Quase a metade das startups do PTS é liderada por mulheres

Por: Thuanne Souza (programa de estágio) supervisão Neide Barbosa

Cada vez mais, as mulheres vêm ocupando espaço nesse segmento

Dos novos negócios criados no país, 52% estão sendo administrados por mulheres, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Esse dado confirma a tendência do público feminino em ocupar cargos de liderança em vários segmentos, em especial o de Startups (empresas iniciais com custos de manutenção baixos, mas que conseguem crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores) ajudando a mudar a cara desse segmento no Brasil, que era predominantemente masculino. Em Sorocaba não é diferente: quase a metade das Startups incubadas no Parque Tecnológico (PTS) são lideradas por mulheres, o que prova que esse mercado vem tomando um novo viéis.

O PTS oferece apoio à criação de negócios de alto impacto e inovação tecnológica, preparando as empresas iniciantes e potencializando suas oportunidades de sucesso. Dentre os 11 projetos incubados em Sorocaba, 5 são encabeçados por mulheres, sendo elas: Coompras, Gasgrid, Banib Conecta, Stattus 4 e We Step Clean.

“Hoje, mais de 50% dos pequenos empreendedores do Brasil são mulheres, e temos visto isto também no Parque tecnológico, o que demonstra um avanço rápido do público feminino na liderança de seus negócios, fator positivo, já que através de estudos e pesquisas, temos que a mortalidade de empresas é bem menor quando lideradas por elas”, comenta o Presidente do PTS, Roberto Freitas.

Um novo estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG), empresa americana de consultoria empresarial, em parceria com a MassChallenge – rede de aceleradoras norte-americana que oferece mentoria e recursos para startups, mostra que empresas lideradas por mulheres recebem uma quantia muito inferior de investimento se comparadas às empresas comandadas por homens, porém elas dão um retorno maior em receita no longo prazo.

O BCG analisou 350 empresas que foram aceleradas pelo MassChallenge e verificou que as companhias cofundadas por mulheres geraram 10% mais em renda acumulada num período de cinco anos: foram US$ 730 mil contra US$ 662 mil, no caso dos homens. Em outras palavras, a cada US$ 1 investido na empresa, as mulheres geraram US$ 0,78, enquanto os homens geraram menos da metade: US$ 0,31.

“Ainda somos poucas no mercado, mas eu sou de uma família de empreendedores, minha mãe é empreendora e eu lembro de  histórias bem chatas que ela me contou do preconceito sofrido, onde as pessoas a enxergavam como a mulher que estava apenas ajudando o marido, não a empreendedora. Hoje, eu não vejo isso como uma realidade, pois sou sócia do meu marido e mesmo que eu seja a única mulher em uma reunião, sou sempre muito respeitada”, conta a CEO (sigla para diretor executivo de uma empresa) da startup Stattus 4, incubada no PTS, Marília Lara.

Embora o público feminino esteja ganhando destaque no setor, ainda existem áreas das startups em que é difícil ver mulheres, como a de Marília Lara, ligada ao desenvolvimento de tecnologia. Trata-se de um reflexo do baixo número de profissionais do sexo feminino que se forma nessa área. De acordo com a ONU Mulheres, apenas 18% dos graduados em Ciências da Computação no mundo são mulheres.

A Stattus 4, startup de Marília com o marido Antônio Oliveira, vem contando com tecnologia e com a ajuda do PTS para seu desenvolvimento, está inserida no contexto de Cidades Inteligentes e Sustentabilidade, e visa fornecer um sistema de detecção automática de vazamentos de água utilizando Inteligência Artificial.

“No estágio inicial da empresa, o PTS foi extremamente importante o respeito dado a mim como mulher dentro de uma área relativamente nova. Recebi todo o apoio para dar vida à empresa, sair do plano da idéia, contando com um bom local para trabalhar, além da possibilidade de trocar informações com os consultores do Parque, que nos ajudam a chegar até o cliente com uma boa proposta”, diz Marília. Ela ressalta ainda que “temos que falar também da credibilidade que adquirimos por ter o PTS como nosso apoiador. Esse detalhe tem sido fundamental na hora de uma conversa com nossos clientes”, explica Marília.

Além de Marília, outras mulheres vêm tendo um grande espaço no Parque Tecnológico de Sorocaba com as startups. Uma delas é Bruna Mattar, líder da Coompras. O aplicativo desenvolvido por ela, que está em processo de finalização, busca revolucionar a forma de compras no Brasil e no mundo. De acordo com Bruna, o Parque Tecnológico foi o responsável para que ela pudesse entrar nas estatísticas de mulheres que tiraram suas idéias do papel para obter êxito.

“Estar incubada no Parque Tecnológico é uma oportunidade maravilhosa e única, pois estão me ajudando muito no processo de validação da idéia, e também no desenvolvimento do projeto. Eles nos demonstram oportunidades de investidores anjos, pessoas físicas que investem com seu capital próprio”, destaca Bruna.

Ela ainda comenta sobre o mercado e encoraja outras mulheres a abrirem a sua própria empresa. “O mercado está aberto para mulheres. Aquelas que estão cansadas de tentar uma vaga numa empresa que não lhes dá espaço, e tem o sonho de empreender, devem enfrentar as dificuldades e correr atrás dos seus objetivos. O importante é manter a paixão naquilo que faz, porque quando você acredita na sua idéia ela tem tudo para dar certo”, argumenta a empreendedora.

Outra empresa que vem tendo destaque no universo das startups lideradas por mulheres é a Banib Conecta, desenvolvida por meio do Programa de Promoção da Economia Criativa da Samsung-Anprotec e está incubada no PTS. Oferecendo uma plataforma online para conexão, armazenamento e publicação de imagens em 360° a grandes imobiliárias, a plataforma também é liderada por uma mulher: Luciana Oliveira que, ao lado do sócio Renato de Oliveira, movimenta a empresa no Brasil e no exterior. Além disso,  recentemente a Banib Conecta alcançou o ‘TOP 5 da Construção’ pelo Ranking 100 Open Startups, uma das maiores premiações do setor.

“As mulheres que lideram startups ainda são poucas, mas entendo que cada vez mais buscam ocupar este espaço. O PTS nos oferece uma ótima oportunidade de crescimento, visto que a infraestrutura é fantástica”, destaca Luciana, ressaltando que o trabalho feito pelo presidente do Parque, Roberto Freitas e sua equipe tem sido ponta na prospecção de novas empresas.  “É também muito inspirador fazer parte de um ambiente onde a tecnologia é o ingrediente principal”, ressalta a empreendedora já pronta para levar sua empresa para outros países.

A primeira plataforma de serviços aeronáuticos do Brasil, a Hangarar, também tem como principal líder uma mulher, Larissa Dantas. Com a idéia nas mãos, ela teve sua proposta lapidada no programa de incubadora do Parque Tecnológico. Larissa e o sócio, Danilo Plens, inclusive devem participar em breve da CASE, maior conferência anual de startups e empreendedorismo do Brasil, que acontece em novembro.

“Nós tínhamos a idéia, mas ela só saiu do papel e realmente decolou quando conhecemos o programa do Parque Tecnológico. Todo o apoio e mentoria que recebemos fez com que conseguíssemos vislumbrar o futuro, entender o que precisávamos fazer, experimentar, validar e chegar onde estamos hoje”, explicou Larissa Dantas, que engrossa os números de mulheres que vem liderando startups no país.

Roberto Freitas, presidente do PTS diz que “o diferencial dessas mulheres é que elas vêm com uma coragem enorme de vencer, porque acreditam muito em suas idéias. E a cada dia, as mulheres estão revertendo esse quadro de que a tecnologia é do mundo masculino. E isso é muito promissor para que elas busquem novos caminhos. As portas aqui estão sempre abertas”, finaliza Freitas.

O processo de seleção de empresas para a Incubadora do PTS é feito por meio de edital público e as informações podem ser acessadas pelo site http://inovasorocaba.org.br.

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