ESPECIAL 50 ANOS ZOO – Recinto no zoo de Sorocaba abriga bugios especiais

Por: Secom Sorocaba

Foto: Gilberg Antunes

Choque, Teodora, Vô e Rubi. Esses são os nomes de quatro bugios ruivo (Alouatta guariba clamitans) que vivem desde 2017 num recinto preparado especialmente para eles no Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”. Cada um chegou ao zoo com uma história diferente, mas todos com necessidades especiais pela dificuldade de locomoção.

O zoo, que é administrado pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema), completa no dia 20 de outubro 50 anos de existência e é considerado um dos mais completos da América Latina.

“Apesar não ter a função de receber animais silvestres, resgatados pela Polícia Ambiental ou pelo Corpo de Bombeiros, o zoo de Sorocaba, por questões humanitárias, recebe animais em condições específicas, como quando estão machucados, filhotes abandonados ou que estão sozinhos na natureza por algum motivo, além de serpentes”, explica a chefe de Seção de Biologia Veterinária do zoo, Luana Rongon Roca.

Isso ocorre porque na região de Sorocaba não existe um Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) ou um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que são as instituições responsáveis por receber animais silvestres provenientes de ação da fiscalização, resgates ou entrega voluntária de particulares.

Após receberem cuidados no zoo, quando esses animais se recuperam e ficam aptos para retornar a natureza, alguns critérios são avaliados pela equipe do zoo e então é solicitada uma autorização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins, para que eles sejam devolvidos à natureza.

No caso desses bugios-ruivos, que foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros ou pela Polícia Ambiental e levados ao zoo, não foi possível retornarem ao habitat natural, por não conseguirem mais sobreviver sem os cuidados humanos.

Choque chegou ao zoológico de Sorocaba no dia 30 de dezembro de 2016, trazido pelo Corpo de Bombeiros. Ele foi vítima de choque elétrico em São Roque (SP) e ficou com problemas neurológicos. O animal chegou com cegueira momentânea e dificuldade de locomoção.

Teodora foi trazida pelo Corpo de Bombeiros ao zoo no dia 17 de abril de 2016. Ela foi encontrada em Sarapui (SP) e chegou com necrose no joelho e, por isso, apresenta dificuldade de locomoção.

Já o Vô é bem idoso. Veio de Ibiúna (SP) através do Corpo de Bombeiros no dia 25 de junho do ano passado, após ser expulso do grupo de bugios que vivia. Seus movimentos são debilitados, por conta da idade e por ter sido atacado por outros animais.

Rubi também veio de São Roque e foi trazido ao zoo pela Polícia Ambiental em 29 de junho de 2016. Ela foi vítima de atropelamento e tem dificuldade de locomoção.

 

Os cuidados especiais

O recinto dos bugios especiais é todo adaptado a necessidade deles. Os puleiros, por exemplo, são colocados numa altura mais baixa para que, em caso de queda no momento do pulo, o animal não se machuque. As esteiras também estão colocadas em local mais baixo para que os animais alcancem e subam. O espaço também conta com galhos de árvores e folhas.

Assim como os outros habitantes do zoo, os bugios especiais são monitorados diariamente pelos tratadores e isso permite que os profissionais identifiquem com rapidez qualquer sinal de que um animal não está bem.

“O nosso olhar é sempre atento. Qualquer anormalidade que a gente vê, como uma diarreia, por exemplo, comunicamos imediatamente o setor de veterinária”, conta a tratadora Marli Santa Bueno Marçal, que atua no “Quinzinho de Barros” há três anos e cinco meses, e é a responsável pelos pequenos primatas. Eles também passam por exames de saúde e acompanhamento veterinário.

Além disso, os animais recebem uma dieta balanceada, com refeições servidas pelos tratadores sempre no início da manhã e no final da tarde. “O Vô recebe legumes cozidos para facilitar na mastigação, porque como é idoso ele não tem alguns dentes”, conta Marli.

Outra questão importante é o bem-estar animal. Por isso além de um recinto bem equipado, os animais ainda recebem aos domingos o chamado enriquecimento ambiental, ou seja, alimentos e objetos preparados de forma especial pelos tratadores dos animais e pelo Setor de Nutrição do zoo, com o intuito de proporcionar diversão aos bichos.

Eles ganham coco ainda na casca para que eles mesmo descasquem e consumam o alimento, como se fosse na natureza, e uma caixa de papelão com algum alimento dentro.

 

Motivo para comemorar

Apesar das dificuldades desses animais, a equipe do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” teve uma grande surpresa neste ano. Em julho, a bugio Rubi teve um filhote no zoo. De acordo com a tratadora Marli, provavelmente o pai seja Choque, já que ele vem protegendo a mãe e o filhote no recinto. “Para nós isso é muito importante e mostra que o nosso trabalho, que é feito com muito amor e carinho, está sendo bem feito”, finaliza Marli.

 

Curiosidades sobre a espécie

O bugio-ruivo vive na Floresta Atlântica de estados da região Sul e Sudeste do Brasil. Se alimenta de folhas, frutas, flores e outras partes das plantas. A gestação da espécie dura seis meses e nasce apenas um filhote por vez. Na mata, é comum ouvir sons altos parecidos com roncos. São grupos de bugios fazendo disputas sonoras por território e evitando brigas.

 

Serviço

Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”

Endereço: rua Theodoro Kaisel, 883 – Vila Hortência

Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (15) 3227.5454

Ingressos: R$ 8 para pessoas de 12 a 59 anos; e R$ 4 para crianças de 6 a 11 anos, além de estudantes dos ensinos Fundamental, Médio, Técnico ou Superior, reconhecidos pelo MEC, mediante comprovação de matrícula ou carteira estudantil dentro do prazo de validade.

Crianças até 5 anos, idosos acima de 60 anos completos e pessoa com deficiência, garantindo-se ao seu acompanhante, quando necessário e quando comprove estar nessa condição, são isentos de pagamento do ingresso. Além disso, alunos, professores e monitores das redes municipal e estadual de ensino público, com sede em Sorocaba, acompanhados pela escola; participantes de instituições assistenciais, com atuação social, cultural e ambiental são isentos de pagamento do ingresso de terça a sexta-feira.

 

 

Tags: