Sorocaba cria tendência sustentável

Por: Secom Sorocaba

Foto: Adriana Massa

Em seis meses, cerca de 1,5 milhão de bitucas de cigarro deixaram de ser descartadas de forma incorreta, sujando e poluindo as ruas de Sorocaba. Todo esse material foi encaminhado para reciclagem, transformando-se em massa celulósica. Esse número de bitucas foi recolhido nas 300 caixas coletoras espalhadas pela cidade e em locais de grande circulação instaladas pela Poiato Recicla em prédios públicos, empresas, bares e restaurantes, locais de grande concentração e circulação de pessoas.

O trabalho que já era realizado com sucesso através de coletas nas indústrias e comércios locais, ganhou reforço também do setor público, através de um Termo de Compensação e Recuperação Ambiental (TCRA), firmado entre a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Parques e Jardins, e a empresa Prysmian Group, que elevou consideravelmente o volume de bitucas coletadas. Este resultado coloca Sorocaba como um exemplo na reciclagem desse tipo de material.

Marcos Poiato, diretor da Poiato Recicla e idealizador do programa de reciclagem de bitucas de cigarro, destaca que uma das tarefas mais árduas é a de promover e propor mudanças de comportamento da sociedade, até mesmo quando se trata de promover a qualidade de vida e proteção ambiental.

O programa já reciclou mais de 30 milhões de bitucas e o empresário afirma que municípios como Sorocaba, Boituva, Laranjal Paulista, Votorantim, Campinas e Ilhabela, por exemplo, demonstram para o país que é possível fazer um trabalho eficiente nesse campo e reduzir o volume desse tipo de material no meio ambiente.
“O nosso trabalho é inédito e ganhou projeção internacional. Recentemente estivemos em Dubai participando do 8° Fórum de Gestão de Resíduos do Oriente Médio, onde foram apresentadas as principais inovações tecnológicas desenvolvidas no mundo; sendo a Poiato Recicla a única empresa brasileira a participar”, conta Poiato.

Iniciado em 2010, em Votorantim, o trabalho inovador propõe a instalação de caixas coletoras em locais de circulação ou concentração de pessoas, coleta dos resíduos, processamento e transformação do material coletado em papel; além de ações educativas e mobilização social. “Começamos com 30 caixas coletoras instaladas e a maior dificuldade era conscientizar gestores ambientais (público e privado), proprietários e gerentes de estabelecimentos (industriais e comerciais), a adotar o trabalho e criar os dispositivos para descarte e destinação adequada deste resíduo tóxico, que é comparado ao lixo hospitalar”, explica Poiato.

O que se verifica hoje (passados alguns anos) é que, ao andar pela cidade, é fácil verificar as caixas coletoras instaladas em bares, restaurantes e empresas em geral. Isso mostra que o conceito de responsabilidade compartilhada foi estabelecido ente o setor público e privado, com aprovação dos munícipes”, diz.

Segundo Marcos Poiato é grande a procura pelos serviços e notadamente os estabelecimentos antes de serem inaugurados, já solicitam seus serviços. “Da mesma forma, a sociedade mais consciente exige dos gestores que os dispositivos de coleta de reciclagem sejam aplicados”, ressalta.

Poiato lembra ainda, que a tecnologia utilizada que é 100 % nacional e foi desenvolvida e patenteada pela UnB – Universidade de Brasília. O trabalho ainda conta com atividades socioeducativas: palestras, workshops, participação em eventos e visitação à empresa que, de portas abertas, promove conhecimento aos alunos (realização TCCs), pesquisadores, professores, gestores ambientais e população em geral. “Esse número de 1,5 milhão de bitucas coletadas e processadas em cerca de seis meses nos dá a certeza de que quebramos um paradigma e de que a cidade se posiciona e se consolida no cenário nacional como referência em sustentabilidade”, conclui Poiato.

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