Sorocaba é eleita a terceira Fab City brasileira

Por: Marcelo Andrade

Sorocaba foi eleita uma das três cidades do País a fazer parte do projeto Fab City pelo Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha, Centro MIT para Bits e Átomos e a Fundação Fab, instituições internacionais que formam o Grupo Fab City. Além de Sorocaba, fazem parte desse seleto grupo, as cidades de Curitiba e Belo Horizonte.

Ser Fab City é pertencer a um novo modelo urbano que prestigie o desenvolvimento da produção local para transformar as cidade em autossuficiente e conectada. Barcelona (Espanha), Boston e Detroit (Estados Unidos), Cambridge (Inglaterra), Amsterdam (Holanda), Paris (França) e Santiago (Chile) já são Fab Cities.

A Fab City é um projeto global lançado em 2011 para desenvolver cidades auto-suficientes localmente produtivas e globalmente conectadas. É um projeto de formato descentralizado e aberto com ações propostas para que as cidades se tornem auto-suficientes até 2054, ano que Sorocaba irá comemorar seu quarto centenário. Dirigido pelo urbanista Tomas Diez, diretor do Fab Lab Barcelona, o projeto está conectado à rede global de Fab Labs, mas não se limita ao conceito: inclui ainda um grupo de reflexão composto por acadêmicos, profissionais, empresários e urbanistas que trabalham juntos para mudar o paradigma da economia industrial atual por um ecossistema de inovação circular sustentável.

O objetivo de uma Fab City é desenvolver cidades totalmente produtivas e globalmente conectadas, com habitantes que partilham seus conhecimentos para resolver os problemas no próprio bairro. Na prática, isso significa que a cidade de Sorocaba estará interligada com os principais municípios com alto índice de desenvolvimento, criando uma rede inovadora e autossuficiente em ciência e tecnologia.

Atendendo aos requisitos

A secretária de Planejamento e Projetos (Seplan), Mirian Zacareli, e o secretário de Mobilidade e Acessibilidade (Semob), Luiz Alberto Fioravante, explicam que diversos fatores fizeram com que Sorocaba conquistasse esse importante reconhecimento, entre os quais seu potencial econômico-social. É servida por uma boa infraestrutura, sendo que atingiu o primeiro lugar no quesito Potencial de Mercado e o segundo em Infraestrutura, segundo a Endeavor; o aeroporto é um dos que mais recebem pousos e decolagens no País, no que se refere ao setor de manutenção aeronáutica; possui moderno sistema de transporte público e que deverá passar a contar nos próximos anos com sistema do BRT e até mesmo do VLT.

Possui ainda uma rede formada por 480 quilômetros de fibra ópitca interligando todas as unidades da Prefeitura de Sorocaba implantada e gerenciada pela Secretaria de Planejamento e Projetos. O sistema permite mais velocidade na transmissão de dados e informações a uma série de serviços públicos, como o videomonitoramento da Guarda Civil Municipal (GCM) e de operação de trânsito da Urbes; conexão à internet dos Sabe Tudo e unidades de saúde; lousas digitais nas escolas municipais; internet pública. A infovia serve de base ao Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) da Prefeitura, cujo objetivo é permitir uma comunicação mais rápida, eficiente e segura entre as unidades municipais, facilitando cada vez mais o acesso aos serviços. No município estão instaladas importantes empresas e multinacionais e conta com mão-de-obra qualificada.

Possui cinco universidades, das quais duas públicas, duas comunitárias e uma privada; sete faculdades e ainda diversas instituições de ensino, públicas e privadas; conta com um Parque Tecnológico, dos mais atuantes do País, que contará ainda este ano com um Fab Lab.

Série de ações

No projeto inicial da Prefeitura apresentado aos organizadores, explica a secretária da Seplan, foi adotado o conceito proposto por Boyd Cohen, e pensado a Cidade Inteligente tal como Cohen propõe na sua “Smart Cities Whell”. “Acreditamos que a Cidade Inteligente, para atingir tal status, depende de uma série de ações em uma série de áreas que não só tecnologia, inovação, etc. Afinal, a Cidade Inteligente é a adoção de políticas, ações e investimentos, de forma inteligente e com suporte de tecnologia, que permite o bem-estar da sociedade”, explica e completa Mirian Zacareli: “Acreditamos que a tecnologia sem um fim é só uma ferramenta guardada numa caixa de ferramentas que está lá para ser exibida como parte do ativo do dono daquela caixa de ferramentas. Agora, conforme a proposta de Cohen, a tecnologia é uma das menores partes de todo o processo, o que não tira da tecnologia a sua importância quando aplicada como um fim, nem o seu papel de suporte sobre todas as ações, quando não é esta um próprio fim.”

Zacareli vai além, segundo ela, para o desenvolvimento de uma cidade inteligente é necessário existir comunicação entre todas as áreas funcionais da cidade. Assim, explica, as cidades devem desenvolver modelos de gestão mais eficiente que permitam: consolidar o crescimento da cidade e permitir uma evolução flexível e organizada; proporcionar aos cidadãos serviços de melhor qualidade e de maneira mais eficiente; com um menor custo de modo que se possa conseguir uma administração sustentável. Obter uma visão integrada de todas as áreas da cidade de maneira que se obtenham sinergias e ambientes operacionais. “E é neste caminho que estamos trabalhando para o desenvolvimento de Sorocaba”, resume.

A secretária de Planejamento e Projetos destaca ainda que as novas tecnologias de informação e comunicação devem se tornar parte indissociável das políticas públicas de segurança, de mobilidade, de saneamento, habitação, desenvolvimento econômico, educação, saúde, mas não podem incidir apenas pontualmente em determinado sistema urbano. “Por isso, é necessário um esforço concentrado e continuado de planejamento urbano e de desenvolvimento de políticas públicas com o uso das novas tecnologias e é importante que os atuais governantes e também a sociedade se atenham a isso. Assim como a cidade é reflexo da sociedade que a habita, uma cidade inteligente só se realiza com uma sociedade inteligente”, disse.

Mais uma conquista

Para o prefeito José Crespo, para Sorocaba, essa e mais uma conquista da atual gestão. “Desta forma, defendemos que é fundamental que as lideranças políticas, gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e empreendedores planejem conjuntamente um cronograma comum de médio e longo prazo que articule as políticas públicas às novas tecnologias de informação e comunicação de modo a tornar nossas cidades mais inteligentes e sustentáveis”, disse e finaliza: “Nesse contexto, ser uma Cidade Inteligente remete a ser município que aplica recursos de forma inteligente em necessidades reais, apontando para o bem-estar da população (sociedade e empresas) desse município de forma integrada, colaborativa e sustentável. É dessa forma que Sorocaba justifica a aplicação desse conceito e agradece por ter sido escolhida e fazer parte das três cidades do País a participar do projeto Fab City.”

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