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Acessado em: 15/07/2024 - 21h29

Manutenção de convênio com a Coopereso garante inclusão social e cidade mais bonita

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Desde 2008, Prefeitura de Sorocaba é parceira dessa cooperativa, que conta atualmente com 160 pessoas

Sorocaba é uma das primeiras cidades brasileiras a manter um programa que oferece oportunidade de inclusão social e geração de renda para egressos do sistema prisional e seus familiares, ação que ainda colabora com serviços de manutenção e deixa a cidade mais bonita. A Prefeitura de Sorocaba mantém, desde 2008, um convênio com a Cooperativa de Egressos e Familiares de Egressos de Sorocaba e Região (Coopereso), o qual vem dando certo. Prova disso é que, no último mês de junho ele foi renovado por mais um ano, com possibilidade de ser prorrogado por mais quatro anos.

O acordo garante um repasse médio mensal de R$ 391 mil à Coopereso, que atualmente conta com 160 cooperados que realizam ações de roçagem e limpeza de vias públicas, parques, praças, pistas de caminhada e áreas de lazer. Eles ainda cuidam da coleta de inservíveis domiciliares, fazem ações de paisagismo e jardinagem, recuperação de muros e prédios públicos que sofrem pichações, operam equipamentos de reciclagem de entulho de construção civil no Aterro de Inertes, coletam folhas e galhos de árvores, além de pintar guias e gradis.

Irmã de ex-presidiário, Vanessa de Oliveira, 28 anos, é cooperada há quatro anos e nos últimos seis meses integra as equipes de roçagem e limpeza de vias. A rotina de trabalho começa às 7h e termina às 16h. “Gosto do trabalho que eu faço. Fui acolhida quando mais precisava e não conseguia emprego”, revela a moça enquanto varria a grama recém-cortada no Parque da Vila Formosa, ao som da música de Alexandre Pires nos fones de ouvido. “Assim o dia passa mais rápido e a gente trabalha mais alegre”, completa, ela que é analfabeta, casada, tem quatro filhos e mora no Conjunto Habitacional “Ana Paula Eleutério”.

“Setenta por cento dos cooperados são mulheres que precisam do dinheiro porque têm marido ou filho na cadeia. São fiéis ao projeto e é só dar enxada na mão delas que saem carpindo”, conta Mirtes Valentes, diretora Institucional da Coopereso. A cooperativa atua em 25 frentes de trabalho ligados à Prefeitura, sendo que 70% das demandas referem-se à Secretaria de Serviços Públicos (Serp) e os outros 30% às secretarias de Meio Ambiente (Sema) e de Desenvolvimento Social (Sedes).

“Tem gente atuando nos Cras, Casas do Cidadão, cemitérios, Centro POP, feiras livres. Não é sempre trabalho pesado, mas fazendo serviços gerais e até cuidando do café”, completa Mirtes. Outro trabalho desenvolvido pelos cooperados é a limpeza de áreas particulares após autuação de fiscais da Prefeitura. O valor referente ao serviço é depois cobrado do proprietário.

Novo contrato

Engenheira da Serp, Carolina Petrisin explica que o contrato com a Coopereso é intermediado pela Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap), vinculada à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. “Antes a Prefeitura fornecia os equipamentos para os cooperados realizarem o trabalho diário. Pelo novo contrato, a Cooperativa é quem providencia e a Prefeitura embute o preço na mão de obra do serviço”, menciona. “É mais ágil porque dependendo do equipamento a Prefeitura tinha que fazer licitação e isso demora. Nós temos como adquiri-lo mais rapidamente. Com isso, ainda montamos um patrimônio”, complementa Mirtes.

O pagamento à Cooperativa é feito com base em relatório mensal de trabalho repassado à Prefeitura, conforme a quantidade de trabalho executado. “Além do apoio social aos cooperados, a Prefeitura ganha em economia, pois os valores praticados pela cooperativa em geral são baixos que os de mercado”, menciona Carolina. Dessa forma, a atuação dos cooperados se tornou mais profissional, acredita Mirtes: “Somos um projeto social que atua como empresa privada, realizando serviços, sobretudo braçais, para qualquer interessado.”

Resgate da cidadania

O convênio entre a Prefeitura e a Coopereso possibilita o resgate da cidadania a centenas de pessoas que deixam o cárcere, por meio da oportunidade de trabalho e chance de mudar de vida. “Cumpri pena por um ano e oito meses, sai há cinco meses e não conseguia emprego. A cooperativa me deu uma oportunidade que não consegui em outros locais”, elogia Jonatas Mendes, 24 anos, cooperado há dois meses e pai de dois filhos. “O serviço é bom, o trabalho é pesado e se não suar não ganha. Hoje em dia não dá para ficar à toa”.

Fundada em 2004, a Coopereso é a 1ª Cooperativa Brasileira de Egressos e de Familiares de Egressos e, de lá para cá, mais de dez mil pessoas já passaram por ela. “Tivemos apenas quatro casos de reincidentes, cooperados que voltaram para a cadeia quando estavam em trabalho. Temos hoje uma lista de espera de setenta pessoas querendo ser cooperadas, desesperadas para trabalhar”, acrescenta Mirtes. Segundo ela, nos últimos seis meses a procura para filiação aumentou quase 40%. “Só não abrimos mais vagas porque não temos mais frentes de trabalho”. Cada cooperado ganha em torno de R$ 950,00 por mês.

A Coopereso está em vias de ser declarada entidade de utilidade pública e já planeja a estruturação para oferecer cursos e capacitações aos cooperados. Para integrar a Coopereso é preciso ser egresso ou familiar de detento com até primeiro grau de parentesco. A sede da cooperativa funciona na rua Leopoldo Machado, 270, no Centro de Sorocaba. O Contato é pelo fone (15) 3211.6194.