Pesquisas realizadas no Parque da Biodiversidade estarão em livro

Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br

Publicação reunirá informações do local que servirão como base para a criação de políticas públicas para aquela unidade de conservação

“Antigamente não tinhamos universidades em Sorocaba e este é um momento muito rico, uma oportunidade de reunir as cabeças pensantes das nossas instituições, tanto alunos quanto professores, para que tragam seus conhecimento para serem aplicados no dia a dia da nossa cidade“. Foi com essas palavras que o secretário municipal de Meio Ambiente, Clebson Ribeiro, abriu nesta quarta-feira (10) o workshop com profissionais que desenvolvem pesquisas no Parque Natural Municipal Corredores da Biodiversidade “Marco Flávio da Costa Chaves”.

Promovido pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o workshop tem por objetivo reunir pesquisadores para coletar informações sobre flora, fauna, educação ambiental do local e também do entorno do parque, que vão nortear o planejamento e as tomadas de decisões realizadas pela Sema e pelo seu conselho gestor. O resultado do workshop resultará na publicação de um livro que servirá de referência para estudos na unidade de conservação, além de se transformar em base para a Educação Ambiental e atualização do Plano de Manejo do parque.

“Vamos organizar e estruturar essa publicação, que pretendemos editar e lançar até o final deste ano, disponibilizando-a para todos os interessados de forma impressa e digital”, afirma Welber Smith, diretor de educação Ambiental da Sema, salientando que o livro será publicado graças aos recursos de compensação da Toyota.

No período da manhã, os participantes do workshop conheceram algumas ações que estão sendo realizadas pela Secretaria do Meio Ambiente que tratam da conservação da biodiversidade na área urbana de Sorocaba. Uma delas é o Programa Refúgios da Biodiversidade, que tem como objetivo principal a criação de “ilhas” de manejo controlado da vegetação das margens e bancos de areia do rio Sorocaba, criando um ambientes adequados tanto para o desenvolvimento de espécies arbóreas quanto para a proteção e alimentação de exemplares típicos da fauna do rio Sorocaba, especialmente as aves.

Já no período da tarde, os pesquisadores se dividiram em grupos de trabalho de acordo com os projetos que desenvolvem e, ao final, apresentaram a estrutura dos capítulos que vão compor o livro.

O workshop contou a presença de professores e alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – câmpus Sorocaba), Universidade Estadual Paulista (UNESP – câmpus Sorocaba), Universidade Paulista (UNIP – Sorocaba), Universidade de Sorocaba (Uniso), Instituto Federal de São Paulo (IFSP – câmpus São Roque), além de representantes da Secretaria do Meio Ambiente, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Clube de Observadores de Aves de Sorocaba (Coaves), Biométrica e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A atividade fez parte da programação especial em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (dia 5 de junho) e também em comemoração ao aniversário de dois anos do Parque da Biodiversidade – a primeira unidade de conservação da cidade, inaugurada pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio no dia 7 de junho de 2013.

As pesquisas

De acordo com Welber Smith, já foram realizadas vinte pesquisas no Parque da Biodiversidade, que resultaram em informações relevantes nas mais diversas áreas como: fauna, com projetos que estudam peixes, anfíbios, mamíferos, borboletas e os mais variados insetos; a flora do parque; o tipo de solo da unidade; restauração ecológica, entre outros. Além destas, dez outras pesquisas estão sendo iniciadas no local.

Uma das pesquisadoras que participou do encontro foi Olivia Hessel Rocha, de 23 anos, estudante de Biologia do Instituto Federal de São Paulo. “Estou achando ótimo. Sorocaba é referência em Educação Ambiental”, destacou. O seu projeto de pesquisa, que está sendo realizado junto com o estudante Erik André de Oliveira, sob a orientação do professor Fernando Santiago, tem como tema o atropelamento de animais silvestres. “Não se trata de um levantamento, mas sim de medidas mitigatórias para diminuir este problema”, comentou.

A pesquisa da estudante é dividida em duas partes: medidas permanentes como, por exemplo, a implantação de lombadas, radares e faixas sinalizadoras na Avenida Itavuvu, próximo ao Parque da Biodiversidade; e medidas de Educação Ambiental como a realização de palestras para sensibilização da população durante as visitas ao Parque, sejam agendadas ou não, além da produção de banners autoexplicativos sobre o tema espalhados pelo parque.

Sobre a unidade de conservação

Situado numa região de floresta estacional semidecidual e uma vegetação predominantemente de Mata Atlântica, com área de aproximadamente sessenta hectares, o Parque da Biodiversidade é uma unidade de proteção integral, na categoria Parque Municipal, definida pela Lei Federal nº 9.985/2000 que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).

Sua função principal é a de proteger integralmente a fauna e a flora típicas da região, ampliando a proteção das Áreas de Proteção Permanente (APPs) dos afluentes do Rio Sorocaba, onde não é permitida qualquer atividade ou intervenção.

O Parque de Biodiversidade também propicia o desenvolvimento de pesquisas científicas em parceria com as universidades, educação ambiental, ecoturismo e lazer, além de ampliar e proteger os corredores de biodiversidade e fragmentos de vegetação nativa na Zona Norte de Sorocaba, garantindo a conectividade e o fluxo gênico.

O local ainda garante a preservação de uma vegetação predominantemente de Mata Atlântica, nascentes de água e cerca de 150 diferentes espécies de animais e 63 diferentes espécies arbóreas.

Dentre os atrativos do parque, os visitantes podem desfrutar de três trilhas interpretativas com temáticas, trajetos, distâncias e níveis de dificuldade.

O Parque da Biodiversidade ganhou no último mês de maio um playground disponível para o lazer de crianças entre 2 e 12 anos de idade, como mais um atrativo para as pessoas interessadas em frequentar o local. Também neste ano, o parque ganhou o seu meliponário, um espaço de coleção e cultivo de abelhas nativas sem ferrão.

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